Projetos Concluídos

MISSÃO DE LICHINGA

Situada a Norte, a província do Niassa é a mais extensa de Moçambique e tem como capital provincial a cidade de Lichinga. A primeira tarefa de que se encarregaram os LD quando chegaram à cidade de Lichinga, em 1993, foi a de colaborar com a Diocese na criação de uma Escola Diocesana Pré-Universitária (11º e 12º anos) que supriu a inexistência deste nível na Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba (estatal). Poucos anos depois, quando a 11ª e 12ª classes começaram a ser lecionadas na escola estatal, a Escola Diocesana deixou de ser necessária, pelo que o apoio dos LD foi canalizado para a Samuel Kankhomba. Nesta, os LD lecionaram até ao ano de 2002 disciplinas como Português, História, Geografia ou Matemática. Ao mesmo tempo, continuavam a apoiar o projeto de ensino à distância nascido no Malawi, ESAM, que proporciona o acesso ao ensino secundário em locais onde não existem escolas, e o Projeto de Alfabetização de Adultos segundo o método de aprendizagem “Reflet”. Paralelamente, os LD fundaram outras estruturas de apoio à educação. A Biblioteca AfricAmiga, criada em 1994 e desde então gerida pelos LD, tem proporcionado à população da cidade, e em especial aos estudantes do ensino secundário e pré-universitário, o acesso a uma coleção de mais de 3000 livros. Através dela, os LD pretendem desenvolver nas crianças e jovens o gosto pelo livro e pela leitura, ao mesmo tempo que promovem a língua portuguesa, que não é, para a grande maioria da população moçambicana, especialmente a rural, a língua de uso corrente. Outra necessidade que os LD procuraram colmatar foi a da formação na área da informática, tendo criado, em 1997, um Centro de Formação em Informática onde proporcionam cursos básicos de informática e formação de formadores.

 

Na área da saúde, a intervenção dos LD abrange desde a formação em cuidados básicos, até à fisioterapia e ao exercício da medicina. Através da presença de médicos e fisioterapeutas, apoiam há vários anos o Hospital Distrital de Lichinga, bem como uma rede de Postos Sanitários que cobre toda a província. Atualmente, os LD coordenam ainda um Projeto de Combate ao HIV/SIDA que visa a criação de uma rede de animadores locais, com os quais se faz um trabalho de sensibilização da população, promovendo a melhoria dos conhecimentos sobre a doença e a sua prevenção. Também a Lepra é objeto de campanhas de sensibilização.

 

No ano de 1997 surgiu um novo projeto na área da educação e promoção do desenvolvimento de crianças dos 3 aos 6 anos: as Escolinhas Comunitárias do Niassa. Este projeto, vocacionado para o ensino pré-primário, consiste numa rede de Escolinhas espalhadas de Norte a Sul da província do Niassa onde os monitores locais promovem o desenvolvimento sócio-educacional da criança utilizando o sistema bilingue língua materna/língua portuguesa, no sentido de preparar a transição suave para o sistema de ensino primário, ministrado em língua portuguesa.

 

Em 2010, já com todos os projetos em fim de ciclo e por questões económicas, justificou-se o encerramento desta missão.

 

MISSÃO DE LIFIDZI

Lifidzi situa-se no planalto da Angónia, a cerca de 40 Km de Fonte Boa. Em tempos uma Escola de Artes e Ofícios, os Jesuítas tiveram todo o interesse em recuperá-la, à semelhança do que se passou na Missão de Fonte Boa. Neste sentido, os LD foram mais uma vez convidados pelos jesuítas, em 1994, a intervir na área da educação. Permaneceram assim nesta missão até 1998, apoiando na lecionação na Escola da Missão e acompanhando projetos de Alfabetização Funcional (Português, Matemática e Ciências, costura e agricultura) e de ensino à distância - o ESAM. Criaram também diversas estruturas adicionais, como uma Biblioteca, um pequeno Centro de Informática, um Clube de Jogos, um Anfiteatro e Campos de jogos.

 

Além da vertente educacional foi também possível dar apoio a um projeto agrícola no Dómwé e a ações de sensibilização de saúde e higiene básica, nas aldeias em redor.

 

No final de 1998, considerando que os projetos lançados poderiam ser geridos pelas estruturas locais e procurando uma gestão mais eficaz dos meios limitados disponíveis, os LD decidiram encerrar a missão de Lifidzi, garantindo a transição dos projetos para as comunidades através de um apoio pontual a partir de Fonte Boa.

 

MISSÃO DE FONTE BOA

Situada no planalto da Angónia, a Missão da Fonte Boa foi construída pelos Jesuítas em 1940 como Escola Agrícola.

Nacionalizada após a independência, a escola manteve a sua função original até que a guerra civil a transformou alternadamente em quartel-general de cada uma das forças em combate. Com a assinatura dos Acordos de Paz, tornou-se urgente para os jesuítas a recuperação dos edifícios profundamente danificados, bem como a reativação da escola. Neste sentido, os LDforam convidados a intervir no ano de 1994. Assim, em 1995, começaram a dar aulas na Escola da Missão, onde têm assegurado o ensino do Português e de outras disciplinas, consoante a área de formação dos voluntários. Além disso, os LD acompanharam pontualmente projetos de Alfabetização Funcional (Português, Matemática e Ciências, costura e agricultura) e o projeto de ensino à distância - o ESAM. Mais tarde, na Escola da Missão, para além das aulas, os LD iniciaram a formação de professores e o apoio aos internatos.

 

Ainda no quadro da recuperação da escola e de forma a apetrechá-la com o equipamento necessário, criou-se o projeto de Carpintaria também com a vertente profissionalizante. Posteriormente, iniciou-se um projeto complementar de Escultura em madeira, também
direcionado aos alunos da Escola da Missão. Supridas algumas das necessidades materiais, criaram-se as condições para a aprendizagem e neste sentido, em 1995, implementaram-se a Biblioteca e a Ludoteca.

 

Na Biblioteca, os LD têm proporcionado aos alunos da Missão um espaço educativo agradável e informal, onde é possível aceder a informação variada, desde revistas e livros escolares até romances juvenis. A Biblioteca promove ainda uma série de atividades de dinamização cultural e de concursos. Já a Ludoteca se tem mantido como espaço privilegiado de convívio, possibilitando o contacto com materiais didáticos a que de outro modo os alunos não teriam acesso – como filmes, passados uma vez por semana, à noite. Também neste âmbito, outras ações foram desenvolvidas, como o Desporto Escolar, que possibilita a prática de várias modalidades desportivas a alunos da escola e das comunidades vizinhas.

 

O contacto diário com os alunos da Missão e a compreensão das suas necessidades levou a que, no decorrer do tempo, os LD desenvolvessem uma série de ações com o objetivo de apoiar os estudantes mais carenciados. É o caso dos projetos de Fotografia para documentos; de Papelaria, que fornece aos alunos material didático e de desgaste a preços muito acessíveis; e do programa de Bolsas de Estudo. Este angaria em Portugal benfeitores que em troca do seu apoio monetário recebem regularmente contacto personalizado dos seus bolseiros, permitindo-lhes assim a frequência da escola.

 

Em 2001, respondendo à total falta de formação na área da informática no distrito da Angónia, foi criado um Centro de Informática, onde são ministrados cursos na ótica do utilizador e formação de formadores.

 

Na área da saúde, no âmbito do combate ao HIV-SIDA, os LD desenvolvem atividades de sensibilização nos internatos e dão apoio a um projeto nas aldeias vizinhas para crianças órfãs de SIDA.

 

Finalmente, através do Apoio à Gestão da Missão, os LD apoiam outros projetos: a gestão diária agrícola e pecuária, procurando que a Missão seja auto-sustentável e permitindo reforçar a alimentação nos internatos; a execução e implementação de projetos de microcrédito de mecanização agrícola, nomeadamente a introdução de sistemas de rega dos campos, aumentando assim a área cultivável na época seca; a formação de agricultores e o fomento de culturas de rendimento em substituição parcial das tradicionais, tudo isto de forma a promover uma melhoria das condições de produção agrícola da Missão e das populações circundantes.

 

Em 2006, com a morte da LD Idalina Gomes na missão, retirámo-nos de Fonte Boa.