História

A história dos Leigos para o Desenvolvimento em Moçambique começa, não em Moçambique, mas no vizinho Malawi, ainda durante a guerra civil que dividiu o país durante mais de quinze anos.


Impelidas pela violência deste conflito, as populações rurais, nomeadamente as da províncias do Niassa e de Tete, fugiram em massa para o Malawi, o país com quem partilham história, língua e tradições, e onde muitos têm família. O Malawi, situado entre ao Lago Niassa, Moçambique, Tanzânia e Zâmbia, pouca capacidade tinha de os acolher.


Os refugiados foram-se acumulando em campos onde chegava alguma ajuda internacional, mas nunca a suficiente para suprir todas as carências. Na educação, por exemplo, perante a inexistência de um sistema de educação formal, os pais que tinham frequentado a escola davam aulas aos filhos e às crianças mais próximas. Para responder a esta necessidade os Jesuítas lançaram o ESAM (Ensino Secundário Aberto Moçambicano), um método flexível de ensino e avaliação que, através de protocolos com as autoridades, permitiria aos que nele participassem alcançar a equivalência ao sistema de ensino moçambicano.


E foi assim que, seguindo os Jesuítas, os LD chegaram, em 1991, ao Campo de Refugiados de Mankhokwe. Com a intenção de paz entre os beligerantes confirmada pelas eleições multipartidárias de 1994, os campos de refugiados moçambicanos desmantelaram-se e as famílias iniciaram o regresso a casa. Mais uma vez, os Jesuítas convidaram os LD a participar na reconstrução do país. E foi assim que os Leigos para o Desenvolvimento entraram em Moçambique.


Ainda em 1993, chegaram a Lichinga, capital do Niassa, onde o Bispo D. Luís Gonzaga Ferreira da Silva os acolheu e integrou. No ano de 1994, chegaram também à Angónia, na província de Tete, tendo-se instalado nas Missões de Lifidzi e Fonte Boa. Três anos depois, em meados de 1997, os LD foram abrir, mais uma vez a pedido do Bispo D. Luís Gonzaga, a Missão de Cuamba. Pouco mais de quinze anos se passaram desde que os LD chegaram a Moçambique. Das quatro missões iniciais, apenas resta a de Cuamba, desde que Lifidzi, Fonte Boa e, recentemente, Lichinga fecharam.


Se a educação continua a ser uma prioridade, o público-alvo alargou-se, abrangendo agora desde o pré-escolar ao pré-universitário. Ao mesmo tempo, outras áreas têm sido alvo da atenção dos LD: a saúde, a promoção social, as atividades lúdicas, a fotografia e o desporto, bem como uma diversidade de projetos destinados a suprir as carências de vária ordem que, pelo contacto com as populações, os LD têm vindo a detetar, e que variam de missão para missão.