Testemunhos

Passar testemunho

Nas corridas de estafetas, a passagem de testemunho é o momento mais importante de toda a corrida. Dois atletas, um a terminar a sua corrida e outro preparado para começar, correm lado a lado, segurando ambos o mesmo testemunho. Eventualmente, o testemunho é confiado a este novo corredor que, cheio de energia e fulgor, continua a prova começando o seu sprint. São frações de segundo, de uma intensidade imensa.

Passar testemunho

Foi assim também o tempo de passagem de projetos e de missão. Começamos a correr antes de nos ser passado o testemunho, com a Formação Específica de Projeto, um mês antes de partir, para começarmos a entrar em todos os aspectos desta missão e para estarmos um pouco mais preparados para receber a intensidade dos segundos de passagem. Depois, chega o momento. Numa fração de segundos, aterramos, agarramos o testemunho e percebemos que recebendo este testemunho recebemos tanto! Com ele, vêm já amigos que nos acolhem de braços abertos, pessoas que nos esperam para continuarmos o bom trabalho desenvolvido e, partilhando este testemunho com os missionários que estão de partida, recebemos um lar, um sítio onde pertencemos. Com o Filipe, a Constança e a Joana, os voluntários da Cidade de S. Tomé que nos passaram esta missão, aprendi a chamar o nosso cantinho na Madre de Deus, casa, e o Bairro da Boa Morte, comunidade.

Pareceram de facto frações de segundo. Foram duas semanas intensas, mas o que aprendi, o que conheci, o que recebi, o que provei, pensava não ser possível neste tempo. O amor que foi dedicado ao ano de missão que acabavam foi também entregue neste processo de passagem, tornando tudo tão mais simples, porque quando se faz com amor, tudo é possível e nada é pesado.

Agora é tempo de correr por minha conta, seguir as pisadas de quem por cá já passou mas traçando o meu próprio caminho aqui em S. Tomé, criando as minhas próprias marcas. Cheia de vontade de pôr as mãos à obra e de descobrir este país, corro de testemunho na mão, mas nunca sozinha. Sei-me sempre acompanhada; tenho a comunidade que Deus me confiou, toda uma rede de apoio em S. Tomé e uma sede que nos apoia incondicionalmente.

Aqui, sei que vou ser feliz!

Marta Campelo
S. Tomé e Príncipe, 2018-2019