Testemunhos

Estar atento, confiar e esperar

Estou em missão pelos Leigos para o Desenvolvimento, em São Tomé e Príncipe, desde setembro de 2017. Já passaram nove meses e daqui a três já estou de regresso a Portugal. Muitas vezes me perguntam o que mais aprendi em missão, e se ao início a resposta era difícil (normal, ainda pouco tempo tinha passado de missão) agora é clara: Eclesiastes 3, 1 – "Para cada coisa há um tempo e um momento" e é preciso estar atento, confiar e esperar.

Foi-me confiado pelos LD o projecto do CREF – Centro de Recursos Educativos e Formativos – de Porto Alegre. Um espaço que têm como objetivo formar e informar as comunidades de Ponta Baleia, Vila Malanza, Ilhéu das Rolas e Porto Alegre em diferentes áreas. Este Centro há muito que funcionava num espaço provisório, no gabinete do Diretor da Escola de Porto Alegre, e há muito que era um sonho mudar para um novo espaço, onde se pudesse disponibilizar mais serviços e formações às comunidades. A minha principal meta de trabalho era a de conseguir ter o novo espaço construído.

Quando cheguei em setembro, a obra já tinha iniciado, mas a passo lento, andava leve-leve só. Vinha acelerada, cheia de vontade de conseguir pôr o Centro de pé. Rapidamente tive que adaptar-me aos ritmos de cá, as coisas não iam ficar prontas só porque eu queria... Um mês, dois meses, três meses e nada… Uma série de peripécias e imprevistos a acontecer e de novo edifício: nada. Perguntava-me muitas vezes: “Mas é uma casa tão pequena porque tem que demorar tanto tempo?” (O espaço tem apenas três salas (uma biblioteca, uma sala de informática e uma multiusos e duas casas-de-banho).

Chegou o Advento e disse para mim “Vai ser desta, nasce o Menino e nasce o CREF!” É dia 25 de Dezembro, o Menino nasce, mas o CREF não… Não podia desanimar, era preciso continuar atenta, confiar e esperar. Mais uns meses passam e a 9 de Maio de 2018 o CREF fica finalmente concluído.

Obra CREF concluida

Foram uns meses exigentes, claramente um tempo de aprender a trabalhar fazendo como se tudo dependesse de mim, sabendo que no fundo nada depende. Ainda não estamos a funcionar neste novo espaço, as peripécias e imprevistos continuam, mas confio que vamos estar, porque para cada coisa há um tempo e um momento.

Madalena Perloiro
S. Tomé e Príncipe, 2017-2018