Testemunhos

A Graça de fazer parte da família LD

Cerca de dois meses passaram desde que eu juntamente com mais 6 voluntários LD rumámos a São Tomé, para ficarmos pelo menos durante um ano, como voluntários missionários, membros desta família Leigos para o Desenvolvimento. E que grande felicidade é fazer parte desta família, que dá de graça e recebe a graça do amor.

Assim que cheguei, na passagem de projeto, senti logo este sentimento de família e de irmandade por parte de todos os voluntários que estavam prestes a acabar a sua missão e que de coração aberto nos receberam como irmãos e como membros da sua família.

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Assim que entrei no Bairro da Boa Morte, e fui apresentado como novo LD que iria começar a trabalhar com a comunidade, fiquei espantado como fui recebido com um carinho imenso. Entre abraços e cumprimentos, enquanto ia conhecendo as pessoas e o bairro onde vou conviver, partilhar emoções e trabalhar durante este ano, muitas pessoas que passavam olhavam espantadas a tentar perceber quem era aquele estranho. Quem me ia sendo apresentado respondia imediatamente: “ É leigo, é leigo” , e apenas isto foi o suficiente para receber muitos sorrisos e olhares de aprovação. Senti-me imediatamente bem vindo, como se chegasse a uma casa nova, que já era minha. Realmente, o legado da família LD vai deixando a sua marca no bairro, onde damos de graça e recebemos a graça do amor de quem nos vê chegar e já deposita tanta confiança em nós. Um dos meus projetos é o Centro de Informática Comunitário, onde pretendemos que a comunidade escolar e toda a população do Bairro da Boa Morte possa adquirir conhecimentos na área das tecnologias da informação e da comunicação. Na parte da Formação Profissional visa formar pessoas nas mais variadas áreas profissionais e lutar contra o desemprego que existe no Bairro, especialmente nos jovens, e o Plano de Apoio Escolar na Escola Básica da Boa Morte, para que as crianças sejam acompanhadas e possam melhorar os seus conhecimentos.

Darei o melhor de mim a estes projetos, para corresponder a todo este sentimento de gratidão.

Ao longo destes dois meses em São Tomé, sinto-me em casa e para isso tem contribuído além de me sentir em casa no bairro, a minha família LD: a Joana Antunes, a Joana Marques, a Constança, a Pia, a Madalena e a Marisa. É com elas que partilho o meu dia-a-dia, os meus projetos, as minhas alegrias e os meus anseios. E como é bom ter a Graça de fazer parte desta família LD, dar de graça e receber a graça do amor.

 Filipe Gonçalves
São Tomé e Príncipe, 2017-2018