Testemunhos

Como poderia?

Para os Leigos para o Desenvolvimento, a partilha e a vida comunitária constituem um pilar do nosso estilo próprio de viver em missão. Não só caracteriza a nossa maneira de estar e viver, como também reflete o modelo de desenvolvimento que promovemos, no qual a coesão social assenta na capacidade de construir «comunidade», valorizando a diferença entre indivíduos, culturas e religiões.

À semelhança do que outrora Jesus fez com os discípulos, quando «chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois» (Mc 6, 7), também nós, leigos em missão, fomos enviados em «comunidade». Este ano, para São Tomé enviou sete!

É esta experiência comunitária que, ao longo de toda a formação, tantas vezes me foi assustando e outras (menos, devo confessar) me reconfortou e encorajou, porque sabia que não vinha só. E é mesmo assim! A vida em comunidade assusta e encoraja, é exigente e reconforta, porque durante este ano não sou uma, somos sete. Já não só eu, trago mais seis: a Marisa, a Pia, a Joana Marques, a Joana Antunes, o Filipe e a Madalena.

Comunidade STP 2017 2018

Da (pouca) experiência que tenho do que é «viver em comunidade», posso adiantar que a exigência deste estilo de vida missionário prende-se, essencialmente, com as adversidades previsíveis: a dificuldade em adaptar a outros ritmos, a novas personalidades e feitios muito variados, hábitos, etc. Contudo, as graças que tenho recebido desta proposta dos LD, de vivermos tudo em duas dimensões – individual e comunitária –, vão muito além do que esperei, pois a sete tudo é vivido com mais intensidade, mais amor!

Acredito que só me sinto já muito adaptada a esta nova realidade, que só me sinto em casa e tão reconfortada porque caminhamos juntos. Mais, tenho consciência de que só me sinto tão segura, porque sei que se (ou quando) tiver medo ou duvidar, lá estarão os seis para me levantar, guiar e recordar-me que aqui estou porque O reconheci quando me chamou a vir ter conSigo!

Assim, partilhar convosco a minha missão sem partilhar o que é a vida comunitária seria tão descabido como falar-vos de mim sem vos falar dos meus seis queridos irmãos que, por agora, deixo em Portugal. Como poderia?

Constança Nunes
S. Tomé e Príncipe, 2017-2018