Testemunhos

A alegria das vitórias

“Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. (…) Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.”

Sarah Westphal

Ao chegar ao período final do meu ano de missão revejo cada vez mais a lição que o excerto acima transcrito me ensina. Olhando para trás percebo que estar em missão não pode ser um quase mas sim a coragem para concretizar e realizar, mesmo não sabendo qual o resultado final mas sabendo o caminho que queremos seguir. Demasiadas vezes sentimos a tentação de esperar pelas certezas para avançar, de redefinir planos, até o medo de arriscar, e aprendo dia a dia com os projetos pelos quais estou responsável que, de facto, o mundo só avança quando arriscamos e tentamos.

O grupo de costura de Vila Malanza que estou a acompanhar, apoiado pela campanha de crowdfunding Ponto a Ponto, é um bom exemplo disso. Depois de algum tempo de indefinição, tentando encontrar o modelo ideal de funcionamento ou o plano perfeito para a sua organização, o grupo avançou e encontra-se já numa fase de formação inicial, enquanto paralelamente vai já realizando peças para venda de modo a cobrir os custos de novas matérias primas.

Grupo Costura Vila Malanza

Também o Centro de Recursos Educativos e Formativos de Porto Alegre aguarda ansiosamente a construção do seu novo edifício, depois de anos de luta intensa. Em conjunto com a comunidade local, várias comunidades de voluntários LD lutaram e trabalharam intensamente para atingirmos as condições financeiras e logísticas para que a comunidade de Porto Alegre tenha, finalmente, um espaço dedicado para centro de formação e de apoio escolar. E é grande a alegria nestas semanas que antecedem o esperado início da obra, havendo mesmo quem diga que é “um sonho a concretizar-se”.

Tudo isto só é possível porque, ano após ano, novos voluntários LD fogem do quase e arriscam na execução dos projetos, dedicando todo o seu amor cristão no trabalho em prol das comunidades locais, sabendo que o tempo de obter resultados não é controlado por eles, mas que, como diz outro excerto do mesmo texto: “Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência. Porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer”.

Da minha parte, chego ao último período da minha missão em São Tomé seguro de que é nossa responsabilidade evitar a desilusão do quase, pois um cristão não teme a oportunidade de merecer a vitória.

Tiago Veiga
S. Tomé e Príncipe, 2016-2017