Desenvolvimento local e capacitação de associações/redes locais em contexto urbano

As reflexões aqui partilhadas surgem da minha experiência de proximidade com o tecido associativo da Alta de Lisboa e do Vale de Alcântara no âmbito do Programa K’CIDADE da Fundação Aga Khan. Misturam-se também com aquilo que aprendi no trabalho que desenvolvi com o ISU na Guiné, Angola e Cabo Verde e que me levam hoje a acreditar que os fatores chave que provocam processos de mudança nas comunidades são comuns tanto em Portugal, como no contexto africano, o que muito se adapta aos desafios atuais da intervenção dos Leigos para o Desenvolvimento.

Numa lógica de desenvolvimento local é fulcral centrar a intervenção na participação ativa da comunidade na procura de uma maior qualidade de vida. Nesta perspetiva, o enfoque não está apenas no resultado final, mas no processo em si e nas externalidades que este pode ter. Ou seja, apesar de se trabalhar para a supressão de necessidades concretas, trabalha-se também para que a comunidade tenha, de futuro, uma voz cada vez mais ativa e se possa assumir enquanto agente ativo de mudança. Este trabalho tem duas frentes principais: desocultar as potencialidades existentes nas comunidades e estimular a cooperação para o desenvolvimento local de todas as partes interessadas.

Uma manifestação natural de sociedade civil no que toca à intervenção social são as associações, uma vez que são formas de organização espontânea, nascidas de vontades coletivas e de movimentos informais. O associativismo comporta em si mesmo uma energia estratégica que alavanca o bem-estar das populações, tanto numa perspetiva de desenvolvimento pessoal (inserção), como numa perspetiva de desenvolvimento da sociedade (inclusão). O associativismo de base local constitui uma pedra angular do desenvolvimento, assumindo um papel fulcral no organizar das pessoas, uni-las e engajá-las em torno de interesses comuns, atendendo às suas necessidades coletivas e individuais e enquadrando a participação democrática. Numa outra vertente, este mesmo associativismo pode criar infraestruturas que permitam uma maior distribuição dos recursos e das oportunidades de desenvolvimento e de melhoria no território. Cumpre funções de proteção social, de combate à exclusão, de promoção do desenvolvimento e de coesão social e territorial.

No entanto, o território e o local não se encontram desligados da restante sociedade e por isso os problemas que se encontram nos territórios não são exclusivos dos territórios e todos os atores (incluindo as organizações meso e setoriais) devem ser convocados para o trabalho em rede de base territorial. A cooperação entre entidades diversificadas facilita o acesso a conhecimento, a informação relevante e a recursos, bem como beneficia a ação integrada e a ação multidimensional, evitando desperdícios e sobreposições.

Diagnostico Participativo Vale de Alcantara

Mónica Azevedo
Coordenação Equipa Comunitária / Fundação Aga Khan

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